O material que já é largamente usado em outros países e ajuda a dar vida a projetos ambiciosos, como a piscina que liga dois edifícios em Londres, começa a ser explorado também por engenheiros e arquitetos brasileiros, que ainda precisam conhecer mais os benefícios oferecidos pelo produto.


Nessas últimas semanas os jornais de todo o mundo estamparam suas páginas com fotos de uma piscina transparente que liga dois edifícios de luxo em Londres. Vista de baixo, é com se ela não existisse e a pessoa que nada dentro dela estivesse na verdade voando a 35 metros de altura.  A obra, assinada pelo engenheiro estrutural Brian Eckersley, foi batizada de Sky Pool, e possui 25 metros de extensão. O projeto só foi possível porque o acrílico, material que dá vida a piscina, além de transparente, ainda é altamente resistente. Ao todo a piscina pesa 50 toneladas. Ela possui paredes de 200 mm e fundo de 300 mm de espessura. Sua capacidade é de 148 mil litros de água, com profundidade máxima de pouco mais de 3 metros. E a Sky Pool não deve ser a única piscina aérea da cidade britânica. O desejo de construir uma piscina panorâmica de 360 graus no alto do que deve ser um hotel de luxo também foi recentemente anunciado. A Infinity London, também feita em acrílico, deve comportar 600 mil litros de água e ficar a 55 andares do chão.

De Londres para São Paulo, o acrílico foi o que tornou possível também a construção de uma cobertura retrátil na cobertura do Shopping Cidade Jardim. No total, a cobertura pesa 20 toneladas e conta com estrutura metálica para sustentação das calhas estruturais e trilhos, sistema retrátil motorizado e 16 módulos compostos de alumínio estrutural e cobertos com chapas de acrílico cast transparente de 3mm de espessura cada. Neste caso, a leveza do acrílico, entre outros fatores, foi fundamental para sua escolha, já que a estrutura seria instalada na cobertura de um prédio e não poderia comprometer sua estrutura. O vidro, por exemplo, além de não proporcionar a mesma transparência, ainda pesa mais do que o dobro do acrílico. Segundo Reimar Sebold, diretor da Bold, essa leveza do material, além de impactar diretamente sobre o projeto, ainda permitiu diminuir também o peso da estrutura de sua sustentação. Isso significa que menos aço precisou ser usado e que, com isso, além de ficar mais leve, o projeto ainda ficou imensamente mais clean.

Shopping Cidade Jardim ganha cobertura retrátil de acrílico

Sebold, ressalta que a durabilidade do acrílico foi outro fator determinante para a escolha deste material. “O policarbonato, por exemplo, tem uma durabilidade de 10 anos, já o acrílico tem uma durabilidade de tempo indeterminado, já que tem propriedades químicas intrínsecas contra os efeitos dos raios UV.

O uso do acrílico em obras deste porte não surpreende João Orlando Vian, executivo do INDAC – Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico. Segundo ele, a transparência, leveza e resistência a impactos e às intempéries fazem das chapas acrílicas a escolha natural para aplicações na arquitetura. “As chapas acrílicas são utilizadas em uma grande variedade de aplicações na construção civil”.

Além de bonitas, leves, resistentes e altamente duráveis, completa Vian, as coberturas em acrílico ainda oferecerem a possibilidade de reduzir o consumo de energia elétrica com iluminação dos ambientes, já que permitem elevada transmissão de luz.

Inovação, sofisticação e praticidade para o dia a dia

E o acrílico não é só a melhor opção para grandes obras. O material também pode tornar até os projetos mais simples em verdadeiras obras de arte. Alexandre Lima, da Acrílico Design, de Recife, mostra portas e painéis divisórios em acrílico projetados pela arquiteta Mabel Rios, que remetem as divisórias orientais moçárabes ou mesmo às divisórias feitas com cobogó, como são conhecidos os elementos vazados usados na construção civil. Segundo ele, além de mais leveza, essas são opções que contribuem com a funcionalidade do ambiente, já que permitem a passagem de luz e ar. Além disso, graças a grande oferta de cores e espessuras e até texturas, é possível fazer de quase tudo com o acrílico. Que também é bastante versátil no que diz respeito à sua maleabilidade. O acrílico pode ser cortado, moldado, colado e ainda combinado com uma grande variedade de outros materiais, como MDF, madeiras em geral, pedras e concreto, entre tantos outros.

Além das portas e divisórias Alexandre explicou como o acrílico torna viável projetos de decoração exclusivos, sejam do corte de mandalas personalizadas para paredes ou mesmo de luminárias de paredes e lustres de teto, tudo feito com o uso 100% do acrílico, exceto claro, da própria lâmpada, bocal e fiação.

Visite a feira ForMóbile – 8ª. Feira Internacional da Indústria de Móveis e Madeira, que acontecerá de 10 a 13 de julho, das 10 às 19h no São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes – Km 1,5 (São Paulo).

O Indac será patrocinador institucional da feira e participará do Fórum ForMóbile, no dia 12 de julho:

  • Industria do Futuro, com o tema “A valorização do móvel com uso do acrílico, do ponto de vista do design e do processo de fabricação”. (13hs)
  • Marcenaria Moderna, com o tema “Particularidades no processamento das chapas acrílicas na fabricação de móveis”. (16hs)

Conto com sua presença na ForMóbile com objetivo de acompanhar as enormes oportunidades para o acrílico no mercado moveleiro.

Link para inscrição: https://www.formobile.com.br/pt/visitar.html

Emprego do acrílico no mobiliário é escolha para diferenciação no mercado

Por Júlia Magalhães – Revista Sob Medida Móbile

Já pensou em integrar o acrílico no móvel do seu próximo cliente? As chapas podem compor partes de um artigo ou ser utilizado para a elaboração total de uma peça. A principal vantagem do uso é a valorização do produto final, seja esteticamente, funcionalmente e em valor no mercado, pontua o engenheiro e consultor do Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico (Indac),
João Orlando Vian.

Frequentemente visto em feiras européias, o material abre espaço para um nicho promissor que busca sofisticação. O mercado de acrílico brasileiro apresenta crescimento médio de 5% ao ano. Em 2013, registrou um pico de consumo de 12 mil toneladas. Em 2015, foi consumido 9,7 mil toneladas. Segundo Vian, o segmento de comunicação visual é o maior consumidor, enquanto a indústria moveleira responde por apenas 150 toneladas.

Em percentual isso equivale a 12% do volume total ou R$ 12,3 milhões. “O acrílico representa 0,1% no volume de compras da indústria moveleira. Isso é risível. É um volume muito pequeno que representa para um material que pode valorizar tanto o móvel”, destaca o executivo.

De fato, além de ser versátil e contemporâneo, é de fácil moldagem, possui uma gama infinita de cores e é 50% mais leve que o vidro, embora seja mais resistente. Além disso, custa em média R$ 22,00 por quilo, valor que pode se assemelhar a outros materiais usados na fabricação de móveis. Outras particularidades são que pequenos riscos, encardidos e manchas superficiais podem ser removidos aplicando-se polidores. “As chapas acrílicas originais suportam até dez anos no sol, sem amarelamento. As coloridas desbotam após alguns anos e as chapas recicladas não são recomendadas para uso externo”, pontua o engenheiro.

Mesa lateral em acrílico
Mesa lateral linha transparência, do arquiteto Carlos Rizzo Jr., da Acrilaria

Manuseio do Móveis em Acrílico

No mercado brasileiro existem basicamente as chapas originais cast e extrusadas e as chapas recicladas. Elas podem ser cortadas em serras circulares ou de fita, utilizadas para madeira. No entanto, recomenda-se rotação e especificação da serra, próprias para acrílico. Outra opção são os equipamentos de corte laser, pois se obtém bordas lisas, sem necessidade das operações de lixamento e polimento. “Diferentemente da madeira, as chapas acrílicas são materiais termoplásticos e podem ser facilmente moldadas com aquecimento em fornos, atingindo temperatura em torno de 160ºC”, aponta Vian.

Elas podem ser facilmente unidas entre si ou a outros materiais com colas especiais. A colagem correta é uma etapa vital no desenvolvimento de peças atrativas e de alta qualidade, que possam exibir uniões fortes, limpas e sem manchas. A quantidade de cola usada na união deve ser a necessária e suficiente de forma a reduzir ao mínimo os trabalhos posteriores de acabamento, como usinagem e polimento.

Estoque

A armazenagem requer alguns cuidados especiais. Elas são comercializadas com película protetora em ambas superfícies, visando protegê-las contra riscos. No entanto, o engenheiro do Indac recomenda separar o estoque de acrílico do restante das matérias-primas, sempre em cavaletes ou encostadas na parede formando angulo de 5 a 10º.

Exclusividade

A diferenciação é um dos caminhos assertivos para ganhar mercado no setor moveleiro. Neste sentido, o acrílico, segundo o arquiteto Carlos Rizzo Jr., da Acrilaria, tem uma aceitação muito grande, mas com muito espaço para ampliar. E aconselha que todo marceneiro deveria lançar um olhar para o seu potencial. “É um material incrível para trabalhar. O fato de ele ser muito mais leve e resistente do que o vidro são qualidades fantásticas”, considera.

Como exemplo de sua resistência, cita uma mesa que fez em conjunto com um marceneiro. Toda a estrutura é composta de acrílico transparente com o tampo de madeira de demolição. “O efeito visual é muito legal, pois parece que o tampo fica flutuando. A fixação foi feita com parafusos. Trabalhamos com o acrílico nessa experiência como se fosse madeira mesmo, com furação com uma broca específica, com parafuso convencional de metal”, conta.

Para a produção de peças em acrílico, prossegue, boa parte do que se usa são do dia a dia de um marceneiro. “Se entrar em uma acrilaria ela tem quase tudo que uma marcenaria tem – com exceção de uma máquina de impressão e uma máquina de corte a laser que é especifica para plásticos e acrílicos”. O arquiteto revela que há muitos acrileiros que vieram do mundo da marcenaria. “Tem muita gente mexendo com o acrílico de alguns anos para cá que deixaram a marcenaria ou que somaram o acrílico ao seu portfólio”.

Rizzo Jr. chama atenção ainda para a qualificação neste mercado. E indica um curso oferecido pelo Indac, que conta com uma grade bem completa. “Temos lá os melhores profissionais do mercado de acrílico juntos para fazer esse curso. Além de ser bom é o único que tem”, finaliza.

Um rápido exame em alguns números da indústria náutica no Brasil revela seu vigor: de acordo com a Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar), sediada no Rio de Janeiro, a capitania dos portos, registra a existência de mais de 200 mil barcos de recreio e de lazer no país. Muitas embarcações construídas no Brasil ainda tem como destino a exportação para portos Europeus.

Acrílico na Indústria Naútica
Barzinho em Acrílico

Esses dados demonstram que a náutica de lazer e recreio brasileira é um segmento ao qual as empresas de acrílico deveriam dedicar maior atenção, pois há vários componentes das embarcações onde o material pode ser aplicado. Pára-brisas moldados, portas de separação de ambientes, janelas, espelhos, box de banheiro e peças de mobiliário são alguns desses exemplos. Alguns fabricantes já fazem uso do acrílico mas, como se trata de um segmento pulverizado, o potencial para a sua aplicação não deve ser desprezado.

A total transparência, o fato de ser inodoro, de fácil manuseio e corte e, principalmente, a resistência aos raios ultravioletas são fatores que levaram a Flexboat Construção Náutica a adotar o acrílico nos pára-brisas que são fixados no console de suas embarcações. Em alguns projetos o acrílico também é empregado como tampa de luminária. Localizada em Atibaia, a Flexboat, que foi fundada em 1990, fabrica barcos infláveis.

Tecnologia e precisão

O acrílico através de novas tecnologias empregadas no processamento das chapas vem aumentando a precisão e qualidade das peças usadas na indústria náutica, beneficiando o segmento de transformação. Este desenvolvimento tecnológico reduz a importação de peças assim como ajustes manuais e imprecisos nas embarcações, de acordo com Ralf Sebold, diretor da Acrílicos Santa Clara de Santa Catarina e que atende empresas do setor de forma especializada: “Além de todas as vantagens intrínsecas ao acrílico, como alta resistência as intempéries, versatilidade e custo benefício, é possivel agregar a alta precisão à peças tridimensionais ao processá-las com a usinagem de 5 eixos. Esse equipamento permite criar peças moldadas, como para-brisas com repetibilidade dimensional em qualquer formato: geométrico tridimensional”.

Estilo em Alto Mar

Acrílico na Indústria Naútica
Mesa e cadeiras em acrílico fazendo parte de decoração produzida pela Diagonale.

Uma das mais renomadas arquitetas de decoração náutica, Tânia Ortega, consagrou-se num mercado de alto luxo e de clientes muito exigentes. Ela é especialista em personalizar essas máquinas requintadíssimas, e em muitos de seus projetos empregou o acrílico para dar mais leveza e luminosidade aos ambientes náuticos. “Sempre utilizei o acrílico em detalhes, e como os resultados sendo cada vez mais positivos a demanda por uma decoração mais leve aumentou”, comenta.

A arquiteta atua há mais de 15 anos neste seguimento e está a frente da líder mundial em decoração e personalização náutica a Ferreti Spirit, e nos explica que o acrílico se encaixa tão bem neste mercado pois o cliente não tem interesse em produtos de decoração fabricados em série. Uma das empresas que mais se adequaram as necessidades de Tânia e seus projetos foi a Diagonale, uma empresa associada ao Indac, pronta para receber projetos de designers exigentes para decoração em acrílico e que conta com uma vasta experiência no setor. “Este é um mercado muito promissor e ainda pouco explorado. Há muito espeço para o acrílico na decoração náutica, tanto pela sua beleza, luminosidade como também segurança” afirma Maurício Lara, arquiteto da Diagonale.