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O show das Baterias em Acrílico

As baterias de acrílico ficaram famosas na década de 70 e depois de um período em extinção renascem aos
poucos pelas mãos de apaixonados pela beleza da música.

Colagem das peças exige cuidados especiais

Não é só nos escritórios, residências e lojas que o acrílico se destaca. O material brilha, e muito, também nos palcos.
A moda começou na década de 70 pelas mãos do baterista inglês John Henry Bonham, da banda Led Zeppelin, que dividiu sua fama com uma bateria de acrílico lançada pela Ludwig em 1972. Não demorou muito para a chamada linha Vistalite tornar-se marca registrada do mestre do rock e adquirir status de sonho de consumo na época.

Mas com o tempo o acrílico foi ofuscado pela ambição dos norte-americanos em expandir o mercado ávido por novidades e aos poucos saiu de cena para dar lugar as baterias feitas de tipos diferentes de madeira. O que eles não contavam é que algumas pessoas jamais esqueceriam o som do clássico kit em acrílico e não poupariam esforços para escutá-lo novamente.

É o caso de Ivan Copelli que começou a tocar bateria no final da década de 80, quando a febre do acrílico já perdia força nos Estados Unidos e, consequentemente, no Brasil. Até que em 2006 um amigo mostrou um som que tinha gravado com um caixa de acrílico: foi o suficiente para o seu fascínio renascer. “O som era demais, inconfundível, e coloquei na minha cabeça que ia fazer aquele som de qualquer jeito”, diz o músico. “Como já não existiam essas peças mais no mercado eu decidi correr atrás para montar a minha.”

O sucesso veio já na primeira aparição em público.“Na época eu tocava em algumas bandas e quando as pessoas ouviram o som foi um efeito colateral. Todo mundo queria ter igual”, conta Copelli que montava as caixas em um quarto do apartamento quando chegava do trabalho. “Até que recebi a encomenda de uma bateria inteira, igual a do Bonham, do Led Zeppelin. Demorei oito meses para entregar, mas depois de pronta resolvi expandir a minha marca e viver disso”, diz o músico que lançou a Hutch Drums em 2007


Bateria em acrílico da Hutch Drums

À medida que os pedidos aumentavam, as empresas transformadoras de acrílico tinham cada vez mais dificuldade para atender a ‘pequena’ demanda da Hutch Drums. Para resolver o impasse, Copelli se ofereceu para produzir suas peças usando o maquinário da empresa. “Não dava mais para esperar cinco mil santinhos ficarem prontos para receber minhas peças, então me ofereci para cortar, moldar e colar. Foi a minha independência”, diz o empresário. “Depois de aprender a manusear o acrílico investi no meu próprio maquinário e até que em fevereiro deste ano aluguei um galpão paraabrigar a produção da Hutch.”

Coincidência ou não as baterias de acrílico voltaram à moda nos Estados Unidos e prometem esquentar o mercado nacional. A Ludwig, inclusive, relançou em setembro deste ano na ExpoMusic - Feira Internacional da Música em São Paulo – linha Vistalite feita inteiramente em acrílico com o mesmo visual da bateria que revolucionou o anos 70. “O investimento de grandes fabricantes no acrílico desmitifica o material que ainda é visto com certo receio no Brasil”, diz Copelli. Atualmente, a Hutch Drums recebe dezenas de encomendas de caixas e de dois a três pedidos de baterias por mês que custam entre R$ 1,8 mil a R$ 3,8 mil. “Hoje estou com dificuldade de atender a demanda, mesmo trabalhando de domingo a domingo”, conta o empresário. No currículo, a Hutch traz a bateria usada pela cantora Ivete Sangalo em setembro deste ano na gravação do DVD ‘Multishow ao vivo Ivete Sangalo no Madison Square Garden’, em Nova York, e já havia feito em 2008 a bateria usada no show ao vivo de Claudia Leitte, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Das cadeiras para as Baterias em Acrílico


Rômulo Prata exibe sua bateria de acrílico

"Principalmente quando se trata do primeiro instrumento o músico vai muito mais pelo visual do que pelo som e o acrílico tem muito mais destaque do que outros materiais"

Rômulo Prata, da AG Cadeiras

A paixão pela música também foi o que impulsionou Rômulo Prata da AG Cadeiras, associada ao Indac, a despertar para as possibilidades de uso do acrílico em instrumentos musicais. O sócio da empresa especializada em cadeiras ficou fascinado ao ver uma bateria de acrílico em uma loja na Teodoro Sampaio, rua especializada em instrumentos musicais em São Paulo, enquanto visitava um cliente do setor moveleiro no início do ano.

“Resolvi passear para ver o que as lojas de instrumentos musicais tinham de novidade e passando em frente a uma delas vi uma bateria de acrílico e fiquei fascinado. Entrei na loja, a Casa dos Bateristas, e na hora propus uma parceria com o proprietário para produzirmos as peças em acrílico.”

O conhecimento técnico de um, o musical do outro e o comercial de ambos só poderia resultar em sucesso. “Começamos a fazer as baterias e vimos que existia um mercado carente para o qual também não havia mão de obra qualificada e então resolvi entrar nessa de cabeça”, conta Prata. “Hoje, se voltarmos nossa produção para esse ramo, conseguimos produzir 100 baterias por mês, das mais simples as mais sofisticadas".

De acordo com sócio da AG Cadeiras, além da qualidade sonora das baterias em acrílico (leia mais no box no final da página), o visual pesa muito na escolha do instrumentos e nesse aspecto o acrílico também leva vantagem. “Principalmente quando se trata do primeiro instrumentos o músico vai muito mais pelo visual do que pelo som e o acrílico tem muito mais destaque do que outros materiais”, conta Rômulo que utiliza chapas de acrílico cast de 6 mm de espessura por serem mais resistentes e garantirem uma boa qualidade do som. Para apresentar ao público sua bateria, Rômulo usou como palco o 2º Salão do Acrílico e a recepção foi tão positiva que ele já trabalha no desenvolvimento de um baixo e uma guitarra para a edição 2011 da feira.

 

Saiba mais acessando os sites:

Ag Cadeiras:
www.agcadeirasemacrilico.com.br

Casa dos Bateristas:
www.casadosbateristas.com.br

Hutch Drums:
www.hutchdrums.com.br


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